1 - COLETA DE GERMOPLASMA: QUESTÕES E DEFINIÇÕES
A coleta de germoplasma é uma atividade incomparavelmente mais antiga do que a coleta de materiais para herbário, ainda que suas bases teóricas tenham sido consolidadas somente nos últimos 50 anos. Desde os tempos mais remotos a humanidade dependeu da coleta de germoplasma para atender às necessidades das civilizações.
No dicionário de recursos fitogenéticos(Elservier's Dictionáry of Plant Genetic Resources), germoplasma é definido como o material que cosntitui a base física da herança e que se transmite de uma geração a outra por meio de células reprodutivas.
Como definição geral, portanto, entende-se por coleta de germoplasma o conjunto de atividades que visa a obtenção de unidades físicas vivas, que contenham a composição genética de um organismo, ou amostra de uma população de determinada espécie, com habilidade de se reproduzir.
2 - IMPORTÂNCIA DA COLETA DE GERMOPLASMA
Coleta-se germoplasma com o objetivo de conservar e ampliar a base genética que pode ser utilizada em programas de melhoramento vegetal, para espécies tradicionalmente cultivadas, ou como alternativa, por meio de pesquisa e conservação, para espécies de uso potencial. As ações de conservação devem priorizar tanto a diversidade de espécies vegetais úteis, quanto à diverisdade (variabilidade) genética encontrada dentro de cada espécie, que são fatores significativos para a manutenção do abastecimento de alimentos no mundo. E a coleta de germoplasma é indispensável para a consecução de tais ações.
É importante coletar e conservar germoplasma para contornar o problema da erosão genética, particularmente nos cultivos agrícolas. outra justificativa, cada vez mais importante para se coletar germoplasma, é a rápida degradação a que estão submetidos os ecossistemas naturais em todo o mundo, incluindo a eliminação de grandes trechos de vegetação nativa.
Há de se destacar que a coleta de germoplasma deve ser entendida como um componente essencial nas estratégias de conservação biológica, mas que não deve ser necessariamente o único. Estas estratégias devem incluir outros componentes como, por exemplo, aqueles relacionados à conservaçào in situ. O sucesso de um programa de coleta não significa que ele seja suficiente para garantir a conservação de todo o conjunto gênico de determinada espécie.
3 - RECURSOS GENÉTICOS, RECURSOS BIOLÓGICOS E BIODIVERSIDADE: CONCEITOS
Coleta de germoplasma é uma atividade historicamente utilizada na conservação de recursos genéticos, embora também seja aplicada na conservação de recursos biológicos e, eventualmente, para alguns elementos da biodiverisdade.
Recursos genéticos - material genético de valor real ou potencial, material genético significa todo material de origem vegetal, animal ou microbiana, ou outra que contenha unidades funcionais de hereditariedade.
Recursos biológicos compreendem recursos genéticos, organismos ou partes destes, populações, ou qualquer outro componente biótico de ecossistemas, de real ou potencial utilidade ou valor para a humanidade
Diversidade biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro das espécieis, entre espécies e de ecossistemas.
4 - ESPÉCIES CULTIVADAS, ESPÉCIES SILVESTRES E DOMESTICAÇÃO
As plantas cultivadas, particularmente aquelas propagadas por sementes, com frequencia perderam seus mecanismos naturais de dispersão, como resultado da seleção humana sob processos de domesticação, como resultado da seleção humana sob os processos de domesticação. Assim as plantas cultivadas podem desenvolver graus diferentes de dependência ao ser humano, por causas como seleção e manipulação de suas populações.
No caso dos vegetais, a domesticação compreende os processos de interferência humana sobre as plantas, que resulta em uma depência crescente destas em relação ao ser humano tais como:
1) redução da capacidade competitiva frente a outras espécies,;
2) gigantismo, especialmente das partes da planta que interessam ao homem;
3) ampla variabilidade morfológica das partes que interessam, com pouca variação floral;
4) ampla adaptação fisiológica para condições ambientais diferentes das originais;
5) supressão dos mecanismos naturais de dispersão e distribuição;
6) supressão de mecanismos de proteção, aumentando a susceptibilidade a pragas e doenças;
7) redução da fertilidade das sementes nos cultivos propagados vegetativamente;
8) mudança de hábito( formas de crescimento) incluindo a passagem de plantas perenes para anuais;
9) germinação de sementes rápida e uniforme;
10) aumento da uniformidade dos individuos, por mecanismo s de autogamia, com redução das possibilidades de ocorrência de variações maiores de uma geração para outra.
A domesticação de plantas foi definido por Clement (19999) como: Um processo co-evolucionário em que a seleção humana, inconsciente e consciente, nos fenótipos de populações de plantas promovidas, manejadas ou cultivadas resulta em mudanças no genótipos das populações que as tornam mais úteis aos humanos e melhor adaptadas às intervenções humanas no ambiente.
Espécies Silvestres são plantas que podem ser manipuladas ou exploradas pelo ser humano, mas que não apresentam nenhuma dependência deste para sobreviver.
Uma caracteristica notável das espécies cultivadas é a sua riqueza varietal.